Funções não-respiratórias

Fonação: por meio do seu compartimento gasoso, o pulmão é o grande alimentador da voz, que nos permite falar, rir, chorar, cantar, soluçar, exclamar, suspirar etc.

Defecação e parto: a manobra de Valsalva (esforço expiratório com a glote fechada e, portanto, sem saída de ar para o ambiente após uma inspiração completa) é uma força motora importante na defecação e no parto.

Filtro sanguíneo: a circulação pulmonar constitui um filtro do sangue entre os territórios venoso e arterial do organismo. Assim, partículas de 10 a 50 micras são retidas na circulação pulmonar, evitando que alcancem órgãos vitais do organismo, principalmente o cérebro, e prejudiquem sua circulação.

As partículas retidas pela circulação pulmonar são constituídas por coágulos sanguíneos, conglomerados de glóbulos vermelhos, fragmentos de medula óssea, células cancerosas e, durante a gravidez, tecido placentário e líquido amniótico. Estes coágulos são destruídos em sua grande maioria pela ação de enzimas dentro dos próprios pulmões.

Regulação térmica e hidro-salina: com o aumento da ventilação pulmonar há maior perda de calor e água, já que em nenhum outro ponto do organismo o sangue se aproxima tanto do exterior como na circulação pulmonar.

Manutenção do pH sanguíneo: regulando a eliminação de ácido carbônico, sob a forma de CO2, o pH sanguíneo é controlado, aumentando ou diminuindo a ventilação pulmonar.

Eliminação de substâncias voláteis: além da eliminação do gás carbônico, um de seus objetivos primários, os pulmões funcionam como porta de saída de substâncias voláteis a 37 graus centígrados de temperatura. Tal é o caso da acetona dos pacientes com diabetes mellitus descompensada, ou eventualmente em pessoas normais em jejum (hálito cetônico); também, pacientes com cirrose hepática em insuficiência hepática eliminam amônia com a respiração (fedor hepático); o álcool também é eliminado pela respiração, o que permite o teste do bafômetro.

Funções metabólicas: na passagem pela circulação pulmonar, algumas substâncias sofrem transformações. Isso ocorre com a angiotensina I, que é transformada em angiotensina II. Também são produzidas substâncias como histamina, prostaglandinas e tromboxanes. Todas elas participam de atividades metabólicas importantes do nosso organismo.

Mecanismos de defesa: a superfície dos alvéolos, que entra em contato direto com o ar que respiramos, é a maior exposição do nosso organismo com o meio ambiente (a superfície alveolar representa 80 a 100 vezes a superfície do nosso corpo).

Para defender o organismo das eventuais agressões levadas pelo ar da respiração, encontramos pelo menos quatro linhas de defesa:

– filtro nasal: filtra, aquece e umidifica o ar respirado;

– aparelho mucociliar: reveste as vias aéreas desde a glote, na laringe, até os bronquíolos terminais. Este tapete de muco, por aderência, pega as impurezas do ar respirado e, acionado pelos cílios, os leva dos bronquíolos até a glote, de onde são eliminadas pela expectoração ou deglutidas, e também eliminadas com as fezes;

– macrófagos alveolares: são células que podem migrar até os alvéolos e fagocitar, digerir e eliminar substâncias ou micro-organismos que conseguiram chegar até esta região do sistema respiratório;

– leucócitos: representam no interstício pulmonar a última linha de defesa contra as agressões veiculadas pelo ar.

Drenagem linfática: os interstícios pulmonares possuem abundantes vasos linfáticos que drenam a linfa dos pulmões, levando também impurezas ou substâncias formadas no sistema respiratório.

Índice do Sistema Respiratório